top of page

Maca Peruana na Menopausa: Pode Ajudar a Aliviar os Sintomas?

  • Foto do escritor: Sonhos Digitais
    Sonhos Digitais
  • há 5 dias
  • 5 min de leitura
Maca peruana na menopausa, com raiz e maca em pó, ilustrando os possíveis benefícios e cuidados no uso para sintomas da menopausa.

Maca Peruana na Menopausa: Pode Ajudar a Aliviar os Sintomas?

A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas as alterações hormonais que a acompanham podem trazer sintomas que interferem no bem-estar e na qualidade de vida. Afrontamentos, suores noturnos, alterações do sono e do humor, cansaço e diminuição da libido estão entre as queixas mais frequentes.

Por esse motivo, muitas mulheres procuram alternativas naturais que possam complementar uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável. Entre os produtos que têm despertado interesse encontra-se a maca peruana.

Mas será que a maca pode realmente ajudar durante a menopausa?

A resposta exige algum cuidado: existem estudos que apresentam resultados interessantes, mas a evidência científica ainda é limitada e não permite afirmar que a maca seja um tratamento comprovado para os sintomas da menopausa.

O que é a maca peruana?

A maca (Lepidium meyenii ou Lepidium peruvianum) é uma planta originária da região dos Andes, especialmente associada ao Peru, onde é utilizada tradicionalmente como alimento.

A parte mais consumida é a estrutura subterrânea da planta, que pode ser seca e transformada em farinha ou pó. Atualmente, a maca também é comercializada em cápsulas e outros suplementos.

O seu consumo tornou-se popular em vários países, sobretudo associado a alegações relacionadas com energia, disposição, fertilidade, função sexual e sintomas da menopausa.

É importante, porém, distinguir uso tradicional de benefício clinicamente comprovado.

Por que a maca é associada à menopausa?

Durante a menopausa ocorre uma redução da produção de estrogénio e outras alterações hormonais. Algumas mulheres apresentam poucos sintomas, enquanto outras podem sentir mudanças significativas no sono, humor, temperatura corporal, energia e vida sexual.

A maca começou a ser estudada como uma possível opção complementar porque alguns pequenos ensaios clínicos observaram melhorias em determinados sintomas.

Isso não significa, contudo, que ela “reponha hormonas” ou “equilibre o estrogénio” de forma comprovada.

O que dizem os estudos científicos?

Uma revisão sistemática que analisou ensaios clínicos sobre maca e sintomas da menopausa encontrou apenas quatro estudos randomizados que cumpriam os critérios estabelecidos pelos investigadores.

Os resultados desses estudos foram favoráveis à maca em algumas avaliações de sintomas. No entanto, os próprios autores concluíram que o número de estudos, a quantidade de participantes e a qualidade metodológica eram insuficientes para estabelecer conclusões firmes sobre a sua eficácia e segurança.

Portanto, os resultados são promissores, mas ainda preliminares.

Humor, ansiedade e bem-estar

Um pequeno estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo realizado com 14 mulheres na pós-menopausa avaliou o consumo de 3,5 g de maca em pó por dia.

Os investigadores observaram melhoria em algumas medidas relacionadas com sintomas psicológicos, ansiedade, depressão e função sexual.

É interessante notar que o estudo não encontrou alterações significativas nas concentrações sanguíneas de estradiol, FSH, LH ou SHBG.

Isso é importante porque mostra que não devemos afirmar simplesmente que a maca funciona através do aumento do estrogénio.

Libido e função sexual

A função sexual também foi investigada.

Alguns pequenos estudos sugeriram possível benefício da maca sobre desejo ou disfunção sexual. No entanto, uma revisão sistemática sobre o tema considerou que a evidência disponível ainda era limitada.

A diminuição da libido durante e após a menopausa pode ter diversas causas — hormonais, emocionais, relacionais, medicamentosas ou físicas — e merece uma abordagem individualizada.

Afrontamentos e suores noturnos

Alguns estudos também relataram redução de sintomas como afrontamentos e suores noturnos.

Mais uma vez, estes resultados são interessantes, mas não são suficientes para garantir que a maca produzirá esse efeito em todas as mulheres.

A resposta aos sintomas da menopausa varia muito de pessoa para pessoa.

E quanto à energia e ao cansaço?

A maca é frequentemente divulgada como um alimento ou suplemento capaz de aumentar a energia.

Entretanto, o cansaço durante a menopausa não deve ser automaticamente atribuído às hormonas.

Fadiga persistente pode estar relacionada com sono inadequado, stress, alimentação insuficiente, deficiência de ferro ou vitamina B12, alterações da tiroide, medicamentos e diversas outras condições.

Por isso, quando o cansaço é intenso, persistente ou inexplicável, é mais importante investigar a causa do que simplesmente acrescentar um suplemento.

A maca “equilibra as hormonas”?

Esta é uma das afirmações mais comuns encontradas na internet — e uma das que exigem maior cuidado.

Os estudos existentes apresentam resultados diferentes em relação aos efeitos da maca sobre as hormonas. Enquanto alguns trabalhos observaram alterações em determinados marcadores hormonais, outros não encontraram mudanças significativas.

Por essa razão, não existe atualmente evidência suficientemente sólida para afirmar que a maca “equilibra as hormonas” ou “repõe o estrogénio” nas mulheres na menopausa.

É mais correto dizer que a maca está a ser investigada pelos seus possíveis efeitos sobre determinados sintomas.

Como a maca é consumida?

A maca pode ser encontrada em:

  • pó ou farinha;

  • cápsulas;

  • comprimidos;

  • algumas misturas alimentares.

Nos estudos sobre menopausa foram utilizadas preparações e quantidades diferentes — incluindo aproximadamente 2 a 3,5 g por dia em alguns ensaios.

Isso não significa que essas quantidades constituam uma recomendação universal. Os suplementos podem apresentar concentrações e preparações diferentes, e ainda não existe uma dose clínica padronizada para tratar sintomas da menopausa.

Existem cuidados ou contraindicações?

“Natural” não significa automaticamente “adequado para todas as pessoas”.

Quem utiliza medicamentos regularmente, apresenta alguma doença, tem histórico de condições sensíveis a hormonas ou está a realizar tratamento médico deve conversar com um médico ou farmacêutico antes de iniciar maca ou qualquer outro suplemento.

Também é importante informar os profissionais de saúde sobre todos os suplementos utilizados. Há, por exemplo, relatos de que a maca pode interferir com determinados testes laboratoriais hormonais.

E, como os estudos de longo prazo ainda são limitados, não devemos tratar a maca como um produto cuja segurança para todas as mulheres esteja completamente estabelecida.

Maca substitui a terapia hormonal da menopausa?

Não.

A maca não deve ser apresentada como substituta da terapia hormonal da menopausa nem de qualquer tratamento recomendado individualmente por um profissional de saúde.

A decisão sobre terapia hormonal depende dos sintomas, idade, tempo desde a menopausa, histórico médico, fatores de risco e preferências de cada mulher.

Da mesma forma, uma mulher que não possa ou não queira utilizar terapia hormonal deve conversar com um profissional sobre as alternativas adequadas, em vez de assumir que um suplemento natural produzirá o mesmo efeito.

Então, vale a pena experimentar?

A maca é um alimento tradicional interessante e os primeiros estudos sobre menopausa justificam a continuação da investigação.

Algumas mulheres podem considerar experimentá-la como parte da alimentação ou como suplemento, depois de avaliar se é apropriada para a sua situação individual.

Mas é importante manter expectativas realistas.

Até ao momento, podemos dizer que existem sinais de possíveis benefícios para alguns sintomas da menopausa, mas ainda não temos evidência científica suficiente para afirmar que a maca seja um tratamento eficaz e comprovado.

A menopausa precisa de uma visão mais ampla

Nenhum alimento ou suplemento isolado resolve todas as mudanças que acontecem durante a menopausa.

Uma abordagem mais completa inclui alimentação variada, ingestão adequada de proteínas, vitaminas e minerais, atividade física, fortalecimento muscular, sono, controlo do stress, redução do consumo excessivo de álcool e acompanhamento médico quando necessário.

Conhecer o próprio corpo também faz diferença.

Quanto melhor compreendemos as mudanças desta fase, mais conscientes podem ser as nossas escolhas.

Informação não substitui acompanhamento médico — mas ajuda-nos a fazer perguntas melhores e a tomar decisões mais informadas sobre a nossa saúde.

Nota importante

Este artigo tem finalidade exclusivamente educativa e não substitui diagnóstico, aconselhamento ou tratamento médico. Se apresenta sintomas persistentes ou intensos, utiliza medicamentos ou pretende iniciar um suplemento, procure orientação de um médico, farmacêutico ou outro profissional de saúde devidamente qualificado.


 
 
 

Comentários


bottom of page